Autora: Carla Cristina Tossatto

Orientadora: Evelise Maria Labatut Portilho

Resumo : A presente dissertação tem como objetivo conhecer os significados que as professoras de uma escola de Educação Infantil da Prefeitura Municipal de Curitiba atribuem à criança e à infância, e analisar a relação desses significados com a prática pedagógica desenvolvida na escola, para, com isso, poder refletir acerca do lugar que a criança ocupa nesse contexto. Utilizando os pressupostos da pesquisa qualitativa e tecendo alianças cognitivas e reflexivas com a sociologia, a história, a psicologia e a pedagogia da infância, diálogos com diferentes autores se fizeram presentes, entre eles: Sarmento (1997, 2001, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011), Qvortrup (2010, 2011), Kuhlmann Jr. (2010), Vigotski (1994, 2009, 2010), Cerisara (1997, 2001), Rocha (2000) e Kramer (2010, 2011). Como instrumentos foram utilizados: a entrevista semiestruturada com as professoras, a observação do ambiente educativo, o protocolo de observação de sala de aula, a ficha auxiliar para a observação da sala de aula, dois encontros reflexivos com as professoras e o registro fotográfico. Os dados e suas análises foram organizados em unidades de significação, que se referem às imagens predominantes de criança e infância das professoras, constituindo-se em uma teia de sentidos que se imbricam mutuamente. As unidades de significação construídas foram as seguintes: a criança como um ser naturalmente bom; a criança como um ser que vive na fantasia; a criança como um ser que brinca; a criança como um ser que aprende; e a criança como um ser que se desenvolve. Diante dessa teia de significados, foi possível perceber que prevalece entre as professoras uma imagem idealizada, mitificada, naturalizada e homogênea da criança e da infância que tensiona as suas relações com as crianças na sua concretude. A fantasia foi tida como uma forma de alienação do real e como condição para a permanência da criança nessa infância mitificada. A criança como um ser que brinca, ainda é vista de forma mais natural que social, distanciando-se da concepção da criança como produtora de culturas próprias e singulares que precisam ser consideradas, ampliadas e ressignificadas. A aprendizagem das crianças se reveste de direcionamentos excessivos e o desenvolvimento é visto de forma mais natural que social, mais homogêneo que diverso, mais atrelado às idades e às fases que às condições de vida e de aprendizagem das crianças. O estudo permitiu verificar, também, que os olhares se manifestam na prática e são determinantes das possibilidades dadas ou não as crianças, do lugar que elas podem ou não ocupar, do modo como podem ou não viver a infância na escola. Nessa interação, a centralidade da professora subtrai as crianças de seu protagonismo, reservando a elas um lugar mais passivo, que ativo; mais de reprodução que de produção e, portanto, mais de dependência, que de autonomia e autoria.

Para ler a dissertação na integra, clique no link abaixo:

 infância sob o olhar da professora de educação infantil: cruzando olhares, saberes e práticas

 

 

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